COTAÇÕES AGRÍCOLAS

Bioinsumos no tratamento de sementes: o que muda quando a sustentabilidade faz parte do processo?

Bioinsumos no tratamento de sementes: o que muda quando a sustentabilidade faz parte do processo?

A equipe está diante da máquina e confere a receita que será aplicada no próximo lote. Os produtos que já fazem parte da rotina estão preparados, mas agora há um novo componente: um bioinsumo, que será utilizado no tratamento das sementes.

Nesse momento, surge uma dúvida comum: basta acrescentar o produto à receita e manter o processo da mesma maneira?

Nem sempre.

Quando os bioinsumos entram no tratamento de sementes, não basta adicioná-los à máquina. É preciso compreender como cada produto se comporta, com quais componentes pode ser combinado e quais ajustes a aplicação poderá exigir.

O que são bioinsumos?

Bioinsumos são produtos de origem biológica, utilizados em diferentes etapas da produção agrícola.

Alguns deles contêm microrganismos, como bactérias e fungos, que podem contribuir para o desenvolvimento das plantas, para o aproveitamento de nutrientes ou para o manejo de problemas que afetam a cultura.

No tratamento de sementes, esses produtos podem ser aplicados diretamente sobre a semente, desde que a equipe respeite a finalidade de uso, a orientação técnica e as recomendações do fabricante.

Entretanto, um produto biológico não deve ser entendido apenas como uma versão natural de um produto químico.

Muitos bioinsumos possuem organismos vivos, que podem responder de maneiras diferentes à mistura, à temperatura, ao armazenamento e ao tempo de contato com outros componentes.

Por isso, a entrada de um bioinsumo na receita exige atenção não apenas ao produto, mas também ao processo no qual ele será utilizado.

Sustentabilidade não significa apenas trocar um produto

Quando se fala em sustentabilidade no agro, é comum associar o tema à substituição de um produto químico por um produto biológico.

Embora essa mudança possa fazer parte de algumas estratégias, ela representa apenas uma parte do processo.

Um tratamento mais sustentável também considera:

  • o uso correto de cada produto;
  • a redução de desperdícios;
  • a dosagem adequada;
  • a distribuição uniforme sobre as sementes;
  • a compatibilidade entre os componentes;
  • a preservação da qualidade das sementes;
  • a segurança das pessoas envolvidas na operação;
  • o comportamento da receita dentro da rotina produtiva.

Quando a equipe aplica um produto sem realizar uma avaliação prévia, podem surgir dificuldades relacionadas à mistura, à secagem ou ao fluxo das sementes.

Além disso, um componente pode interferir no desempenho de outro, principalmente quando a receita reúne produtos que possuem características diferentes.

Assim, a sustentabilidade está ligada ao uso consciente dos insumos, que precisam ser aplicados na quantidade, na sequência e nas condições indicadas.

 

Os produtos da receita precisam funcionar em conjunto

Imagine uma receita que reúne produtos químicos, pós, bioinsumos e polímeros, utilizados para contribuir com a fixação e com a cobertura das sementes.

Cada componente possui uma função específica. No entanto, quando todos entram na mesma receita, podem ocorrer interações que precisam ser analisadas.

Por isso, não basta avaliar os produtos separadamente. É necessário compreender como eles se comportam quando passam a fazer parte da mesma aplicação.

 

O que significa compatibilidade entre produtos?

Compatibilidade é a capacidade de dois ou mais produtos serem utilizados em conjunto sem que um prejudique o funcionamento do outro.

Nos bioinsumos que contêm microrganismos vivos, esse cuidado merece ainda mais atenção.

Alguns produtos químicos, quando permanecem em contato com o componente biológico por um período prolongado, podem reduzir a quantidade de organismos vivos presentes na receita.

Isso não significa que produtos químicos e biológicos nunca possam participar da mesma estratégia.

Em determinados casos, eles podem fazer parte da mesma operação. Em outros, pode ser necessário aplicá-los em momentos diferentes ou direcionar o produto biológico para o sulco de plantio, que corresponde ao espaço aberto no solo onde a semente será depositada.

A escolha, que depende dos produtos utilizados, da cultura, do intervalo entre o tratamento e o plantio e das recomendações técnicas, precisa ser definida antes que a aplicação avance para uma escala maior.

A ordem de aplicação pode exigir ajustes

Quando uma receita reúne vários produtos, a sequência de aplicação pode influenciar a cobertura, a mistura e o contato entre os componentes.

Com a entrada dos bioinsumos, a ordem que já fazia parte da rotina pode precisar ser revista.

Em algumas situações, a equipe aplica primeiro os produtos químicos e adiciona o bioinsumo posteriormente. Em outras, os componentes precisam ser aplicados separadamente.

Além disso, o intervalo entre as aplicações pode se tornar importante, sobretudo quando a semente precisa secar ou quando é necessário reduzir o contato direto entre determinados produtos.

Essas decisões precisam considerar as orientações do responsável técnico, as informações fornecidas pelos fabricantes e os testes realizados antes da aplicação em maior escala.

Dessa maneira, a sequência não deve ser definida apenas pela facilidade operacional. Ela precisa acompanhar o comportamento da receita e das sementes.

Mais produtos não significam um tratamento melhor

A superfície da semente possui um limite para receber líquidos e outros componentes.

Quando a equipe acrescenta muitos produtos à receita, o volume de calda, que corresponde à mistura líquida aplicada, também aumenta.

O excesso de líquido pode dificultar a secagem, fazer com que as sementes se unam e alterar o fluxo dentro da máquina ou durante o ensaque.

Por isso, incorporar um bioinsumo não significa apenas adicionar mais um produto ao tanque.

É necessário observar:

  • o volume total da mistura;
  • a quantidade de cada componente;
  • a forma como a calda será distribuída;
  • o tempo necessário para a secagem;
  • o comportamento das sementes depois do tratamento.

A cobertura ficou uniforme? As sementes continuam passando normalmente pela máquina? Elas estão aderindo umas às outras? O ensaque mantém o fluxo esperado?

Essas observações, realizadas durante os testes e as primeiras aplicações, mostram como a receita se comporta dentro da operação.

A máquina também faz parte desse cuidado

A máquina influencia diretamente a maneira como os produtos serão dosados, distribuídos e misturados.

Quando a dosagem apresenta variações, algumas sementes podem receber uma quantidade maior de produto, enquanto outras recebem uma quantidade menor.

Por outro lado, quando a equipe ajusta corretamente o equipamento, a receita tende a se distribuir de maneira mais uniforme.

A sustentabilidade também passa por esse controle, que contribui para reduzir desperdícios e utilizar os produtos conforme a quantidade indicada.

Bombas, tanques, dosadores, sistemas de aplicação e componentes responsáveis pela mistura precisam acompanhar as características dos produtos utilizados.

Um bioinsumo pode apresentar viscosidade diferente daquela encontrada em outro componente. Essa característica, que interfere na forma como o produto circula, pode exigir ajustes na dosagem, no bombeamento ou na aplicação.

Portanto, antes de levar uma nova receita para toda a produção, é importante observar como o produto passa pela máquina e como chega à superfície das sementes.

Produtos confiáveis também fazem parte do processo

Uma boa aplicação começa antes que o operador ligue a máquina.

Além de ajustar o equipamento, a equipe precisa utilizar produtos que possuam procedência, orientação técnica e informações claras sobre uso, armazenamento e combinação com outros componentes.

A Momesso mantém parcerias com empresas de insumos, que desenvolvem produtos voltados ao tratamento de sementes.

Essa aproximação reúne o conhecimento de quem desenvolve as máquinas com a experiência de quem formula os produtos que serão aplicados.

Além disso, essas parcerias contribuem para a realização de testes, para a avaliação de receitas e para a construção de orientações que ajudam o produtor a compreender como determinada combinação poderá se comportar dentro da operação.

A máquina e o produto, que exercem funções diferentes, precisam trabalhar dentro de um processo que foi estudado, testado e ajustado.

Como a Momesso participa desse processo?

A atuação da Momesso não se limita ao desenvolvimento de máquinas.

A empresa também participa de testes, regulagens, treinamentos e parcerias com organizações que desenvolvem produtos para o tratamento de sementes.

No CEM, o Centro de Excelência Momesso, equipes podem avaliar máquinas, receitas e processos durante atividades de desenvolvimento, demonstração e treinamento.

O espaço também recebe testes relacionados à qualidade e à aplicação em sementes, aproximando fabricantes de insumos, responsáveis técnicos, operadores e produtores, que precisam compreender como cada produto se comporta dentro da máquina e sobre a semente.

Quando os bioinsumos entram no processo, essa análise ganha ainda mais importância, porque cada receita pode exigir uma forma específica de aplicação, de dosagem ou de combinação.

Assim, os testes ajudam a transformar uma nova possibilidade de tratamento em uma aplicação que faça sentido para a realidade da operação.

Sustentabilidade acontece nas escolhas do processo

Voltando à equipe que prepara o próximo lote, o bioinsumo não deve ser tratado apenas como mais um produto da receita.

Sua entrada pode exigir uma nova ordem de aplicação, ajustes na máquina, controle do volume de calda e testes que mostrem como as sementes respondem ao tratamento.

A sustentabilidade aparece quando a equipe utiliza o produto corretamente, reduz desperdícios e compreende os fatores que podem interferir na aplicação.

Os bioinsumos, que ampliam as possibilidades disponíveis para o produtor, precisam estar acompanhados por produtos de procedência, orientação técnica e um processo preparado para recebê-los.

Converse com o time Momesso e conheça as estruturas, os testes e as parcerias que podem apoiar a avaliação de novas receitas conforme a realidade da sua operação.